Poemas de Constantin Cavafis (ou Konstantinos Kaváfis) – parte V Para que elas venham –
Basta uma vela. Sua luz indecisa, eis o que melhor convém, que será o mais propício quando vierem do Amor, quando vierem as Sombras.
Basta uma vela. Que o quarto, nesta noite fique na penumbra. Entregue ao devaneio ao que ele sugere, graças à pouca luz – às minhas visões, então, eu darei livre acesso, para que venha Amor, para que venham Sombras.
O sol da tarde
Esse quarto, como eu o conheço bem. Está alugado agora, com aquele ao lado, à agências comerciais. O imóvel todo não é nada além do que escritórios, corretagem, importação-exportação e outras empresas.
Ah, esse quarto, como ele me é familiar.
Perto da porta, aqui, ficava o sofá, e em frente a ele um tapete turco; ao lado, a prateleira e seus vasos amarelos. À direita; não, em frente, um armário com espelho. Ao centro a mesa onde ele escrevia; e as três grandes cadeiras de palha. Perto da janela ficava a cama onde sempre fazíamos amor.
Esses pobres móveis devem ainda existir em alguma parte.
Perto da janela ficava a cama; o sol da tarde a atingia até o meio.
... Uma tarde, às quatro horas, nós estivemos separados por somente uma semana... Ai, é uma semana que ainda dura.
Leia a primeira parte das minhas traduções dos poemas do autor neste link.
Escrito por Elisa Andrade Buzzo às 23h01
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