Dois poemas e uma tradução para o final do Carnaval Mardi gras (de Guillaume Apollinaire)
No dia verde, malva ou rosa Sobre o qual plana um céu de tédio, Na noite Onde passam pierrôs coroados de rosas, Fantasmas pálidos que vagam na noite, Noite mais estrelada do que as noites habituais Estelada de gemas de resplandecência pálida, (Pérola, opala, Esmeralda e espinela) Correm cantando, Arlequins, Colombinas, Polichinelos de nariz tromba, Mosqueteiros, marquesas, diablotins, Sob uma chuva multicolorida; e se ilumina A cidade em festa e tocam flautas, bandolins, Enquanto ao longe o rei tomba, O rei dos loucos é queimado pelo povo, ai! Ai! Carnaval, o rei Carnaval flamba! O rei flamba! Canções! Fogos de artifício Champanhe! Ditirambo! O rei Carnaval flamba, E ao longe o canhão entoa sua batida. E a lua, lamparina de ouro pálido Ilumina a noite estrelada de gemas pálidas (Rubis, Esmeralda, Opala) Parece a lâmpada maravilhosa De um qualquer gigantesco Aladdim, A Lâmpada ilumina no jardim As árvores das quais os frutos são pedras preciosas, (Pérolas, rubis, esmeraldas, opalas) E morre o ruído, E morre a noite, E desponta o dia, o dia pálido.
Inspiração (de Mario de Andrade)
São Paulo! comoção de minha vida... Os meus amores são flores feitas de original... Arlequinal!... Traje de losangos... Cinza e ouro... Luz e bruma... Forno e inverno morno... Elegáncias sutis sem escándalos, sem ciumes... Perfumes de Paris... Arys! Bofetadas líricas no Trianon... Algodoal!...
São Paulo! comoção de minha vida... Galicismo a berrar nos desertos da América! N. da T.: Ao tentar manter o maior número de rimas no texto "Mardi Gras" (que em português seria a nossa "terça-feira gorda"), optei por traduzir algumas palavras não exatamente com a sonoridade que eu buscava de início. Por exemplo, em “Polichinelos de nariz tromba” minha tradução inicial era “Polichinelos de nariz adunco”. Mas como os versos originais são rimados (“Polichinelles au nez crochu”, “Tandis qu’au loin le roi déchu”), optei em manter a rima. O mesmo acontece em “Le roi flambe” e “Champagne! Dithyrambe!”, onde minha preferência era por traduzir como “O rei arde” ao invés de “O rei flamba”. Assim como em “diablotins” rimando com “bandolins”, ainda que “diabinhos” fosse uma palavra mais usual em português. O texto original, dentre outros, pode ser encontrado neste link. Acima, um poema de Mario de Andrade, que lembrei ao ler “Mardi Gras” pela sonoridade.
Escrito por Elisa Andrade Buzzo às 13h19
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