Canção retrátil

III

Minha janela redonda
das coisas que existem e não existem,

onde vejo namoros ardentes de colegiais,
teatro em plena rua,
brigas de casais, furtos à meia-lua.

Fantasio outras ruas extemporâneas
com olhos biônicos de câmera de vigilância.

Monitoro vidas paralelas a essa
porque o tempo nesta janela é o do pensamento,
corre na velocidade das nuvens
e nunca se reconfigura como da primeira vez.

Minha janela redonda,
das coisas que se vêem e que não se vêem.


(poema que fiz inspirado no nome do fotolog da Sissy Eiko)


Escrito por Elisa Andrade Buzzo às 19h30
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Poemas de Constantin Cavafis
A chegada da noite


De qualquer maneira, aquilo não podia durar. A experiência
dos anos me prova. Mas, foi um pouco rápido
que o Destino veio e colocou um fim.
A vida bela não dura muito.
Mas que perfumes inebriantes,
que suavidade tinha o leito onde nós nos encontrávamos,
a que prazer nossos corpos foram levados.

Um longínquo eco desses dias de prazer,
um eco desses dias me veio agora mesmo,
algo do ardor mútuo de nossa juventude;
até que, entre minhas mãos, retomei uma carta,
e eu a li e reli até quando não havia mais claridade.

E eu saí melancolicamente até a sacada –
saí para mudar de ares vendo ao menos
um pouco desta cidade adorada,
um pouco da multidão das ruas e das lojas.


A mesa vizinha

Ele deve ter vinte e dois anos, não mais.
E, no entanto, estou certo disso, há quase o mesmo
tempo, sim, eu possuí aquele corpo.

De maneira alguma se trata de uma exasperação do desejo.
Além do mais, eu mal acabo de entrar no cassino;
também nem tive tempo de beber muito.
Aquele corpo, eu mesmo, eu o conheci.

E se eu não me lembro onde – não muda nada.

Ah, eis que agora ele está sentado na mesa vizinha,
reconheço seus mínimos gestos – e sob suas roupas,
revejo nu o corpo bem amado.


Tive o prazer de ganhar de um amigo grego o livro En attendant les barbares et autres poèmes (Gallimard), de Constantin Cavafis. Fiquei surpreendida com os versos deste autor nascido no Egito em 1863, mas de família grega. Cavafis é considerado um dos maiores poetas da Grécia.

E mais surpreendida ainda fiquei em saber que, no Brasil, tivemos traduções dele feitas por ninguém mais ninguém menos do que José Paulo Paes! Em edição hoje esgotada... Ainda que estas minhas traduções acima pequem por serem feitas do francês para o português, Cavafis me emocionou tanto que vou preparar uma série de seus poemas por aqui.



Escrito por Elisa Andrade Buzzo às 14h21
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O Planeta dos Macacos - tradução (Final do Capítulo IV - continuação)



Ele inclinava-se novamente para mergulhar a mão no lago, quando nós o vimos se imobilizar. Ele deu um grito e estendeu o dedo em direção à pegada que acabava de descobrir na areia. Eu senti, acredito, a mais forte emoção de minha existência. Lá, sob os raios ardentes de Betelgeuse, que invadiam o céu acima de nossas cabeças como um enorme balão vermelho, bem visível, admiravelmente desenhada sobre uma pequena faixa de areia úmida, aparecia o vestígio de um pé humano.


Sobre esta tradução de La planète des singes e créditos ler aqui.

Escrito por Elisa Andrade Buzzo às 10h35
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Aquele abraço! (ou a história deste blog e outros, por Babi Borghese)



Ano passado, logo depois de comemorarmos dois anos desses quatro blogs (se você quiser saber quais são os outros três, parafraseando o Augusto, cutuca aqui, aqui e aqui), o Rumos Jornalismo Cultural, padrinho de todos, reunia na sede do Itaú Cultural em São Paulo os 14 selecionados da primeira edição (2004-2005) e os 17 da segunda (2007-2008). Eu não via os antigos rumeiros há meses e a alegria do encontro se traduziu num imenso abraço coletivo, bem na frente da nova rumaria, que olhava aquela explosão de saudade e carinho num misto de surpresa e admiração.

Cada um mata a saudade como pode. Como não posso abraçá-los a toda hora, procuro cutucar sempre os quatro blogs para lembrar do Anderson (que foi mudando seu artorpedo aos pouquinhos e hoje tá mais pra poesia do que pras gadgets do milênio), do Augusto (quem faz ou gosta de quadrinhos tem que acompanhar o cabruuum), da Elisa (que começou publicando seus poemas e hoje abre espaço no caliope pros colegas, especialmente os ibero-americanos) e do Leandro (que ao se mudar de Aracaju deixou de pegar no pé da imprensa sergipana pra falar do jornalismo cultural em geral no mascandocliche, muita coisa assinada por ele mesmo na Rede Minas, diga-se de passagem).

E agora também posso cutucar o blog da Ludmila, reativado depois de uma pausa pra balanço, quase sem mudanças – o oraboa continua a tratar de música boa - e o novo blog da Júlia, que não é o que nasceu no Rumos, mas de qualquer forma, a vontade de blogar começou ali, então... continua valendo. E além disso, suas mini-crônicas do cotidiano de Beagá é uma delícia de tutumineiro!

É minha forma de lembrar deles, de sentir que estamos perto ainda que distantes (viva a internet!). E com isso, acabo lembrando dos outros oito, porque são todos uns queridos...

A exemplo da primeira geração de jornalistas que recebeu apoio do Itaú Cultural, certamente a segunda não vai decepcionar e novos projetos sairão dessa experiência. Ainda não sei o que vai ser dos 17, mas só espero uma coisa: que o abraço coletivo que darei ao encontrá-los vire uma tradição e se torne um símbolo da união de todos os selecionados no Rumos Jornalismo Cultural de todas as edições.

Que no ano que vem, ao celebrar mais um aniversário desses seis blogs, os recém-contemplados na edição 2009/2010 possam presenciar mais um abraço coletivo dos que terminaram a jornada. E em 2011, 2013, 2015... e que a gente tenha muitos novos blogs, sites, artigos, livros e o que mais vier pra comemorar!

Babi Borghese

Escrito por Elisa Andrade Buzzo às 20h54
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