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Traduções de poemas de Constantin Cavafis (ou Konstantinos Kaváfis) – parte VI Lembre-se, corpo meu... Corpo meu, lembre-se não somente como você foi amado, não somente dos leitos onde se deitou, mas também dos desejos que por você brilhavam abertamente nos olhos, que tremiam na voz – e que um obstáculo qualquer impediu de se realizar. Agora que tudo aquilo pertence ao passado, é quase como se a esses desejos também você estivesse livre - como eles brilhavam, lembre-se, nos olhos que te contemplavam; como eles tremiam na voz, por você, lembre-se, corpo meu.
Depois das nove horas Meia-noite e meia. O tempo passou rápido, depois das noves horas, acendi a lâmpada, e vim me sentar aqui. Permaneci sem ler, e sem falar. A quem teria podido falar, eu que vivo sozinho nesta casa. O fantasma da minha juventude depois que acendi a lâmpada às nove horas, veio me encontrar e me recolocar na memória o perfume dos quartos fechados e o prazer passado – um prazer de tamanha audácia! Igualmente ele me trouxe aos olhos ruas que não podemos reconhecer hoje, lugares muito freqüentados que não existem mais, teatros e cafés que fizeram história. O fantasma de minha juventude veio me trazer também sua parte de desgosto; lutos de família, separações, opiniões dos próximos, vontades dos mortos tão pouco respeitadas. Meia-noite e meia. Como a hora passou. Meia-noite e meia. Como os anos passaram. Leia a primeira parte das minhas traduções dos poemas do autor neste link.
Escrito por Elisa Andrade Buzzo às 00h54
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Clarissa Oh, que vontade de morder as flores, trincar-lhe os caules verdes, os cálices, as pétalas, como se fossem frutas. Deus devia ter feito as coisas de tal maneira que a gente pudesse comer as flores, as pedras, a relva... Assim, nunca, ninguém passaria fome.
Leitura delicada e juvenil pra alegrar um dia cinza, Clarissa (1933), o primeiro romance de Erico Verissimo.
Escrito por Elisa Andrade Buzzo às 09h53
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Novidades literárias online Victor Del Franco avisa que a primeira edição da revista dedicada à literatura, a Celuzlose, já está no ar, isso mesmo (eu que pensava que ela seria impressa) está hospedada na internet! Ingênua! Ainda online estão as entrevistas com escritores feitas pelo jornalista Oscar D’Ambrósio para a Rádio Unesp FM de Bauru – no programa Perfil Literário. Elas podem ser ouvidas na íntegra, são mais de 130. Estou lá no número 67, quando passeei no centro de São Paulo para chegar ao estúdio, no prédio da reitoria da Unesp, na rua Quirino de Andrade.
Escrito por Elisa Andrade Buzzo às 22h25
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Novo livro de Octávio Roggiero Neto pendulação é nas horas de sossego que percebo a vida, enfim; noutras - demoras... - sou cego, apalpando o escuro em mim.
* primícias sardinhas pardas, menininha, teu belo rosto é como o céu, cheio de estrelinhas.
Poemas de Primícias poéticas (Rio de Janeiro, Câmara Brasileira de Jovens Escritores, 2009).
Escrito por Elisa Andrade Buzzo às 17h40
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"Y a du soleil dans la rue" Faz sol na rua/ Gosto do sol, mas não gosto da rua/ Então fico em casa/ Esperando que o mundo venha. Trecho de poema de Boris Vian no novo livro cheio de poesia da Maria Rita Kehl, O tempo e o cão - a atualidade das depressões (Boitempo, 2009). Tradução da autora.
"Pendant tout le temps de notre histoire" No decorrer de toda nossa história, durante um ano e meio nós falaremos dessa maneira, nós nunca falaremos de nós. Desde os primeiros dias, sabíamos que um futuro em comum não era desejável, então jamais falaremos do futuro, nós teremos intenções como jornalísticas, e, do contrário, de igual teor.
L’amant, Marguerite Duras (Prix Goncourt 1984).
Escrito por Elisa Andrade Buzzo às 09h47
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Poemas de Constantin Cavafis (ou Konstantinos Kaváfis) – parte V Para que elas venham –
Basta uma vela. Sua luz indecisa, eis o que melhor convém, que será o mais propício quando vierem do Amor, quando vierem as Sombras.
Basta uma vela. Que o quarto, nesta noite fique na penumbra. Entregue ao devaneio ao que ele sugere, graças à pouca luz – às minhas visões, então, eu darei livre acesso, para que venha Amor, para que venham Sombras.
O sol da tarde
Esse quarto, como eu o conheço bem. Está alugado agora, com aquele ao lado, à agências comerciais. O imóvel todo não é nada além do que escritórios, corretagem, importação-exportação e outras empresas.
Ah, esse quarto, como ele me é familiar.
Perto da porta, aqui, ficava o sofá, e em frente a ele um tapete turco; ao lado, a prateleira e seus vasos amarelos. À direita; não, em frente, um armário com espelho. Ao centro a mesa onde ele escrevia; e as três grandes cadeiras de palha. Perto da janela ficava a cama onde sempre fazíamos amor.
Esses pobres móveis devem ainda existir em alguma parte.
Perto da janela ficava a cama; o sol da tarde a atingia até o meio.
... Uma tarde, às quatro horas, nós estivemos separados por somente uma semana... Ai, é uma semana que ainda dura.
Leia a primeira parte das minhas traduções dos poemas do autor neste link.
Escrito por Elisa Andrade Buzzo às 23h01
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"São Paulo não pode se tornar linda de novo"
(...) Que voltem os arcos e a concha do Pacaembu, Orquestras sinfônicas tocavam na concha acústica. Aí demolem aquilo para fazer aquele horrendo tobogã, para dar x mil lugares a mais, que não acrescentaram nada. É um horror ver jogo dali. Tenho muitas saudades de uma São Paulo lúdica e torço para que a sua vocação para a vanguarda cultural seja retomada. São Paulo não pode se tornar linda de novo, porque a industrialização e o crescimento mudaram o seu perfil. Não dá mais para tomar chá da tarde no Mappin ou um frapê de coco na Leiteria Paulista, ao lado do Teatro Municipal, mas é preciso buscar no concreto dessa cosmópolis como contornar este problema. É a mobilização cultural que pode tornar a cidade mais bela.
Tony Ramos em No tempo da delizadeza, perfil biográfico por Tania Carvalho (Coleção Aplauso Perfil, Imprensa Oficial, 2006).
Escrito por Elisa Andrade Buzzo às 17h14
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Escrito por Elisa Andrade Buzzo às 15h01
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A floresta silenciosa/ La forêt silencieuse (de Max Jacob, tradução de Elisa Andrade Buzzo) Na floresta silenciosa a noite ainda não veio, e a tempestade da tristeza ainda não injuriou as folhas. Na floresta silenciosa, para onde as Dríades fugiram, as Dríades não voltarão mais. Na floresta silenciosa, o riacho não tem mais ondas, porque a corrente corre quase sem água e entorna. Na floresta silenciosa existe uma árvore negra como o negro, e atrás da árvore existe um arbusto com a forma de uma cabeça e que está em chamas, e que está inflamada de chamas de sangue e ouro. Na floresta silenciosa, onde as Dríades não voltarão mais, existem três cavalos negros, são os três cavalos dos reis magos e os reis magos não estão mais sobre seus cavalos, nem noutra parte e esses cavalos falam como homens.
Escrito por Elisa Andrade Buzzo às 10h57
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Dois poemas e uma tradução para o final do Carnaval Mardi gras (de Guillaume Apollinaire)
No dia verde, malva ou rosa Sobre o qual plana um céu de tédio, Na noite Onde passam pierrôs coroados de rosas, Fantasmas pálidos que vagam na noite, Noite mais estrelada do que as noites habituais Estelada de gemas de resplandecência pálida, (Pérola, opala, Esmeralda e espinela) Correm cantando, Arlequins, Colombinas, Polichinelos de nariz tromba, Mosqueteiros, marquesas, diablotins, Sob uma chuva multicolorida; e se ilumina A cidade em festa e tocam flautas, bandolins, Enquanto ao longe o rei tomba, O rei dos loucos é queimado pelo povo, ai! Ai! Carnaval, o rei Carnaval flamba! O rei flamba! Canções! Fogos de artifício Champanhe! Ditirambo! O rei Carnaval flamba, E ao longe o canhão entoa sua batida. E a lua, lamparina de ouro pálido Ilumina a noite estrelada de gemas pálidas (Rubis, Esmeralda, Opala) Parece a lâmpada maravilhosa De um qualquer gigantesco Aladdim, A Lâmpada ilumina no jardim As árvores das quais os frutos são pedras preciosas, (Pérolas, rubis, esmeraldas, opalas) E morre o ruído, E morre a noite, E desponta o dia, o dia pálido.
Inspiração (de Mario de Andrade)
São Paulo! comoção de minha vida... Os meus amores são flores feitas de original... Arlequinal!... Traje de losangos... Cinza e ouro... Luz e bruma... Forno e inverno morno... Elegáncias sutis sem escándalos, sem ciumes... Perfumes de Paris... Arys! Bofetadas líricas no Trianon... Algodoal!...
São Paulo! comoção de minha vida... Galicismo a berrar nos desertos da América! N. da T.: Ao tentar manter o maior número de rimas no texto "Mardi Gras" (que em português seria a nossa "terça-feira gorda"), optei por traduzir algumas palavras não exatamente com a sonoridade que eu buscava de início. Por exemplo, em “Polichinelos de nariz tromba” minha tradução inicial era “Polichinelos de nariz adunco”. Mas como os versos originais são rimados (“Polichinelles au nez crochu”, “Tandis qu’au loin le roi déchu”), optei em manter a rima. O mesmo acontece em “Le roi flambe” e “Champagne! Dithyrambe!”, onde minha preferência era por traduzir como “O rei arde” ao invés de “O rei flamba”. Assim como em “diablotins” rimando com “bandolins”, ainda que “diabinhos” fosse uma palavra mais usual em português. O texto original, dentre outros, pode ser encontrado neste link. Acima, um poema de Mario de Andrade, que lembrei ao ler “Mardi Gras” pela sonoridade.
Escrito por Elisa Andrade Buzzo às 13h19
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Poemas de Constantin Cavafis (ou Konstantinos Kaváfis) – parte IV Fui embora
Eu não queria me prender. Dei tudo de mim, depois fui embora. Rumo aos gozos que se revelaram pouco reais, ao mesmo tempo aos sonhos tolos de minha mente, fui embora na noite iluminada. Eu bebi vinhos amargos, como sabem bebê-los os homens de prazer.
Juramentos
Ele regularmente jura a si mesmo começar uma vida melhor. Mas quando a noite cai com suas próprias sugestões com seus compromissos, e suas promessas; mas quando a noite cai com sua força inerente à ela, aquela do corpo que reclama e exige, no mesmo gozo fatal, desesperado, ele mergulha novamente.
Primeira parte das minhas traduções dos poemas do autor neste link.
Escrito por Elisa Andrade Buzzo às 09h51
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Às vezes acho que o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa fala comigo BASE III - DA HOMOFONIA DE CERTOS GRAFEMAS CONSONÂNTICOS 6o. Distinção gráfica entre as letras interiores s, x e z, que representam sibilantes sonoras: acesso, analisar, anestesia (...) duquesa, Elisa (...).
BASE XIX - DAS MINÚSCULAS E MAIÚSCULAS 2o. A letra maiúscula inicial é usada: (...) Opcionalmente, em palavras usadas reverencialmente, aulicamente ou hierarquicamente, em início de versos (...).
P.S.: negritos meus :-P
Escrito por Elisa Andrade Buzzo às 21h37
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Novo livro de Diniz Gonçalves Júnior o amor é uma lembrança de guache calendário de águas apressadas um papel de vertigem vária dias que correm paralelos escrevendo seu ciclo de ausências
* a cidade deserta lírica, imprecisa um menino atrás do seu sonho seu outubro fugindo da maquinaria incessante de seus dias iguais Poema de Decalques (São Paulo, 2008).
Escrito por Elisa Andrade Buzzo às 13h09
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Escrito por Elisa Andrade Buzzo às 10h42
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Um poema de Carol Marossi, do Coletivo Vacamarela
Acordo árida, vestida de chumbo. Lembro de Munique, as densas noites de uivos caninos. E era verão no sul. Tão negro e viscoso, tal como os dispositivos de uma Halifax Law. Mas os ecos chegavam da Marienplatz ressonando no meu peito, prestes a lançar uma ogiva nuclear. Pé ante pé você invadia a praça com seus imprestáveis patins de gelo (e era verão no sul). Naquele quarto minha alma degelava líquida como chumbo.
Carol Marossi mantém o blog Hay tomates!
Escrito por Elisa Andrade Buzzo às 10h56
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